Museu Nacional de Arte Contemporânea inaugura em simultâneo quatro exposições com o apoio da Fundação Millennium bcp
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O Museu Nacional de Arte Contemporânea — Museu do Chiado inaugura dia 26 de fevereiro, às 18h00, com o apoio da Fundação Millennium bcp, um novo ciclo programático com um conjunto de quatro exposições que refletem a diversidade de linguagens e de gerações com abordagens críticas à história, à memória, ao olhar e à cultura visual contemporânea.

A exposição “Linhas Cruzadas”, patente na Galeria Millennium bcp, recupera e valoriza obra de Maria Augusta Bordalo Pinheiro (1841–1915). A inauguração contará com a presença da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, do Presidente do Conselho de Administração da Museus e Monumentos de Portugal e do Presidente da Fundação Millennium bcp.

O novo programa expositivo é composto pelas seguintes mostras:

Maria Augusta Bordalo Pinheiro - Linhas Cruzadas
Com Ana Silva, Joana Vasconcelos e Sónia Gomes
Design expositivo: Atelier do Corvo
Curadoria: Maria de Aires Silveira, Filipa Oliveira
27 fevereiro — 2 maio
Galeria Millennium bcp

A exposição Linhas Cruzadas recupera e valoriza a obra de Maria Augusta Bordalo Pinheiro (1841–1915), figura muito relevante e historicamente subestimada da História da Arte Portuguesa. Pintora de formação, foi na renda de bilros que encontrou um território de afirmação artística radical, transformando um saber-fazer tradicionalmente associado ao artesanato doméstico feminino numa linguagem artística moderna. Ao valorizar e profissionalizar um ‘louvor’ historicamente feminino, Maria Augusta afirmou o trabalho das mulheres como criação artística plena, desafiando as fronteiras entre arte e artesanato, entre espaço doméstico e reconhecimento público. Criadora do célebre ponto português, Maria Augusta reinventou a renda através de novos desenhos, técnicas inovadoras e uma extraordinária sofisticação formal, alcançando reconhecimento internacional em exposições universais, mas permanecendo durante décadas numa posição marginal na historiografia oficial. A exposição coloca o seu legado em diálogo com obras de Ana Silva (Calulo, Angola, 1979), Joana Vasconcelos (Paris, 1971) e Sonia Gomes (Caetanópolis, Brasil, 1948), artistas contemporâneas que prolongam e atualizam reflexões sobre trabalho manual, identidade, memória, género e visibilidade feminina, sublinhando a atualidade política e estética da obra de Maria Augusta Bordalo Pinheiro.

Anti-Isto. Manifesto-Poema
Com Ana Hatherly, Ana Pérez-Quiroga, André Romão, António Pedro, Carlos Bonvalot, Catarina Dias, Columbano Bordalo Pinheiro, Diogo Cândido de Macedo, Eduardo Luiz, Ernesto de Sousa, Fernando Calhau, Flor Campino, Graça Morais, Hein Semke, Helena Almeida (espólio), Íris Neves, João Onofre, José Pedro Croft, Lourdes Castro, Luís Noronha da Costa, Luisa Cunha, Mafalda Santos, Manuel Amado, Maria Estela Guedes, Maria Gabriel, Maria Helena Vieira da Silva, Patrícia Almeida, Raúl Perez, Rodolfo Pinto do Couto, Salette Tavares, Susana Mendes Silva.
Curadoria: Mestrado em Estudos Curatoriais do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.
27 fevereiro — 26 abril

Anti-Isto. Manifesto-Poema é uma exposição coletiva desenvolvida no âmbito da residência curatorial do Mestrado em Estudos Curatoriais do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, em parceria com o MNAC, a Fundação Millennium bcp e a Plataforma Umbigolab, com a colaboração da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian. Partindo do proto-poema Anti-Isto, do artista António Pedro, e de reflexões teóricas sobre o olhar, o fazer-ver e a perceção, a exposição organiza-se como um dispositivo cenográfico e performativo que envolve o visitante como agente ativo da experiência estética. Entre atenção e distração, visibilidade e ocultação, o projeto questiona o lugar do espectador e propõe uma experiência sensorial e crítica do espaço expositivo. A exposição reúne obras de artistas históricos e contemporâneos, afirmando-se como um território experimental, laboratorial e coletivo. Esta exposição é uma organização conjunta entre o MNAC, a Fundação Millennium bcp (apoio mecenático), o Colégio das Artes da Universidade de Coimbra e a Umbigo Lab.

Jaime Welsh — O Oferta
Curadoria: Filipa Oliveira
26 fevereiro — 26 abril

A Oferta assinala a primeira exposição individual de Jaime Welsh (Lisboa, 1994) num museu, marcando um momento decisivo na afirmação de uma das vozes mais singulares da nova geração de artistas portugueses. A partir da arquitetura monumental do Estado Novo, marcada por uma forte carga política e por uma linguagem formal rigorosa, a exposição convoca três edifícios centrais do modernismo em Portugal: o Banco Nacional Ultramarino, a Reitoria da Universidade de Lisboa e a Biblioteca Nacional de Portugal. Através de fotografias meticulosamente construídas, estes interiores afastam-se da sua função original e surgem como espaços simultaneamente hiper-reais e hiper-ficcionados, onde a arquitetura deixa de ser cenário para se afirmar como presença ativa e ambígua, exercendo uma pressão contínua sobre os corpos e as subjetividades que a habitam. Nascido em Lisboa em 1994 e atualmente a viver em Londres, Jaime Welsh desenvolveu um percurso internacional sólido, com formação na Goldsmiths, University of London, e distinções como a bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e participação no prémio Bloomberg New Contemporaries.

Mariana Duarte Santos: Calafrio
Curadoria: Lúcia Saldanha, Rui Afonso Santos
27 fevereiro — 10 maio

Em Calafrio, Mariana Duarte Santos (Lisboa, 1995) propõe uma reflexão sobre a fronteira frágil entre o privado e o público, o individual e o coletivo, a realidade e a perceção mediada pelos media. Inspirada numa pesquisa sobre o cinema noir, a exposição analisa a tensão entre interiores íntimos e o mundo exterior, bem como as ansiedades coletivas associadas à circulação constante de informação e entretenimento. A partir de fotogramas de filmes antigos, a artista demonstra como o medo e o pânico social são fenómenos recorrentes, historicamente mediados por jornais, rádio, cinema e, hoje, plataformas digitais. O percurso expositivo organiza-se como uma sequência cinematográfica — the room, the message e the crowd — conduzindo o visitante por diferentes estágios da experiência do medo, da esfera privada à pressão da massa pública. Mariana Duarte Santos é uma artista pluridisciplinar que tem desenvolvido um trabalho centrado na pintura onde o cinema e a literatura são grandes influências. Em 2019 pintou o seu primeiro mural ao ar livre, e conta já com mais de 50 murais em Portugal, Espanha, Luxemburgo e Irlanda.

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